Decoração é como moda: a cada temporada um determinado material vira o quente da estação. E, como em uma semana de moda em que todos resolvem utilizar um determinado tecido, na última edição da Casa Cor os arquitetos apostaram em massa em um ingrediente principal: a madeira. Ela teve honras de favorita em praticamente todos os ambientes da mostra. Pisos, revestimentos de paredes, móveis, objetos de decoração. Tinha madeira em tudo.

E por que, afinal, ela virou objeto de desejo do momento? O arquiteto Arthur Casas, que assinou um dos ambientes mais "amadeirados" dentre os exibidos nas dependências do Jockey Club de São Paulo, é taxativo: "Madeira sempre está relacionada a aconchego, conforto térmico, casa gostosa de ficar". Desde a estréia neste mercado, há 27 anos, ele é fã da matéria-prima. "A madeira é uma das minhas marcas-registradas, tanto que fui o primeiro a apostar no pau-marfim", lembra, citando a madeira que virou hit decorativo nos anos 90. Entre as atuais preferidas do arquiteto figuram madeiras bonitas e maleáveis, fáceis de trabalhar, como o frejó e a amêndoa. Mas a madeira de demolição também é aposta certeira. "No meu projeto para a Casa Cor usei muita madeira reaproveitada de antigos postes de luz", conta.

Para a arquiteta Débora Aguiar, madeira também é sinônimo de conforto. "As pessoas hoje estão muito voltadas para suas casas, seus refúgios e a madeira é uma das matérias-primas perfeitas para conseguir esse estado de aconchego doméstico", acredita Débora, fã do contraste de madeira rústica com materiais mais frios, como o mármore polido. "Rende um contraste muito interessante". Débora é fã de madeira, mas faz concessões a materiais que imitem a aparência da matéria-prima, como o cimento que utilizou no piso do ambiente criado para a Casa Cor deste ano. Mesmo de pertinho era difícil reconhecer diferenças entre os materiais. "Claro que a sensação térmica é diferente, mas acho maravilhoso ter alternativas tecnológicas para substituir a madeira em determinados pontos do projeto". 

Principalmente porque a madeira não é exatamente um material barato. Se levarmos em conta a dobradinha madeira de qualidade + design assinado, como acontece com móveis de grife, o valor pode ficar bem salgado. Por isso é bom ter alternativas na manga. Nesse pacote, além de novidades tecnológicas como o piso de cimento com veios idênticos aos da madeira de verdade, dá para contar com a boa e velha Formica. A marca não para de despejar novidades no mercado. Uma das mais recentes é a chapa que imita madeira de demolição. Mas no cardápio de opções, disponível no site da marca, é possível garimpar outras, com estampas similares a praticamente todos os tipos de madeira e sugestões, inclusive, de acabamentos diferenciados: mais fosco, mas brilhante, com os veios mais ou menos destacados no projeto. 

Mas voltando aos originais, Debora Aguiar - fã de ipê e de carvalho, "que só melhoram com o tempo" - acredita que sempre vale a pena investir na madeira, mesmo sendo mais caro. "A madeira é recuperável, você pode lixar, refazer camadas e acabamentos", explica a arquiteta. "A madeira é muito flexível, um material delicado, mas que bem cuidado pode durar a vida toda". A arquiteta faz apenas uma ressalva aos clientes: que seja usada somente madeira certificada, de reflorestamento ou de demolição, inseridas no modelo atual do ecologicamente correto. Apesar de essa questão despertar muitas outras. "Madeira ecologicamente correta é a que você tem no seu entorno, porque há sempre o impacto ao ambiente gerado pelo transporte da material-prima", diz Arthur Casas. 

Se essa é uma das preocupações de quem gosta de madeira, mas sente uma certa "eco-culpa", a opção é mesmo apostar nos genéricos e, por que não? Dá até para brincar de faça em casa com papel Contact que imita madeira. Dependendo da intenção decorativa, é uma solução das mais divertidas e baratas. Comprar móveis usados é outra. Lojas de antiguidades e brechós estão repletas de boas opções de móveis - e você não precisa se ressentir com a utilização de nenhuma árvore extra por isso.

Fonte: Estilo Uol